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‘Mochileiros S/A’ era um desafio arriscado que deu certo


por Felipe Batista

@feebp

Diretor do “Mochileiros S/A: Profissão Viajante”

Fazer um documentário a partir de um trecho de um livro, com viajantes falando sobre suas viagens ao redor do mundo parados em sua própria cidade. Parecia uma ideia impossível, pouco palpável para um documentário de quase 25 minutos. Um desafio que muitos acharam que não daria certo –  até eu achei por um momento, confesso. Mas, junto com  a ‘Asas’, acreditamos e deu certo.

Gravar o ‘Mochileiros S/A’ era uma proposta difícil, mas um sonho antigo também: saber o que passa na cabeça de pessoas que amam tanto viajar que fizeram disso a sua profissão. Um prazer rentável. Por isso o subtítulo “profissão mochileiro”. A ideia surgiu depois de assistir um documentário sobre um jovem que larga tudo (família, namorada, emprego estável) e vai mochilar pelo mundo. Junto disso, a vontade de dar vida ao trecho do livro “Mar Sem Fim”, do sempre incrível Amyr Klink e, a partir daí, roteirizar o doc:

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias,

 imagens, livro ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés,

 para entender o que é seu. Para um dia plantar suas próprias árvores e dar-lhes valor.

Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto.

Sentir a distância e o desabrigo para estar

bem sob o próprio teto.

Um homem precisa viajar para lugares que não conhece,

 para quebrar essa arrogância que nos faz

 ver o mundo como imaginamos e não simplesmente como ele é ou pode ser.

Que nos faz professores e doutores do que não vimos,

 quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver…

 Il faut aller voir – é preciso ir ver!

É preciso questionar o que se aprendeu.

É preciso ir tocá-lo”.

 – ‘Mar Sem Fim: 360̊ ao redor da Antártica‎’, de Amyr Klink

 

Nós queríamos saber o que é que fazia aqueles aventureiros deixarem o conforto de seus lares para “ir lá e ver”. De perto, pessoalmente. Com seus próprios olhos e pés. E foi lindo ouvir as respostas e as mudanças que as viagens causaram, causam e sempre vão causar na vida deles, mesmo que ela tenha se tornado uma profissão.

“Ao longo do tempo, acho que o que mais mudou foi a cabeça.

Foi a maneira de ver o meu cotidiano.

Viajar faz com que você olhe pra sua realidade em perspectiva.

 É um baita privilégio.

Se afastar e olhar pras suas felicidades, amarguras, conflitos…

Eu espero muito que as viagens

tenham me tornado um ser mais flexível.

O bambu é mais forte que o concreto.

 O bambu resiste a terremoto.

O bambu é mais maleável.

Eu prefiro ser bambu a ser concreto.”

 – Luís Nachibin, no ‘Mochileiros S/A’.

 

Uma ideia da ‘Asas Vídeos‘ também nos fez dar outro olhar ao documentário: ouvir histórias engraçadas, de perrengues, e as que eles mais gostavam de contar. Isso os deixaram mais à vontade. As entrevistas foram para eles, aos poucos, quase que um bate-papo com amigos sentados numa mesa do bar.

Sempre digo que o mais legal do ‘Mochileiros’ não é o resultado final. Apesar de eu adorar assisti-lo e saber que as pessoas também gostam (no Youtube, tem quase 27 mil visualizações), eu acho que o mais gostoso foi o processo dele como um todo. E eu explico porquê: tínhamos quatro personagens muito diferentes uns dos outros. Com narrativas diferentes, ideias diferentes, pensamentos diferentes, histórias diferentes. Mas, ao analisar as entrevistas, a gente vê que eles são, afinal, todos iguais: apaixonados pelas viagens e pelas mudanças que elas provocam na gente. Em todos os sentidos.

“Essas viagens todas fizeram eu entrar em

 um caminho sem volta de processo e desenvolvimento.

De você entender seus erros, seus acertos,

suas qualidades e virtudes. Separar da mochila da vida

aquilo que serve, daquilo que não serve.

Mas certamente eu sou bem mais desprendida.

 Bem mais disponível hoje pra qualquer aventura.

E hoje eu tenho mais noção de que

todos nós estamos aqui pra contribuir

com o meio que a gente vive.

Eu acho que antes eu não tinha essa noção.

 Mas eu ‘tô’ em processo,

ninguém para nunca.”

 Luah Galvão, no ‘Mochileiros S/A’.

 

O resultado do documentário é um filme do jeito que a gente queria. Sem tirar nem pôr: simples, romântico, bonito. É quase poético. Com a ajuda da ‘Asas’, também conseguimos também dar um olhar diferente, com uma segunda câmera. Um close maior, mais delicado. A ‘Asas’ também nos proporcionou um encontro com o Amyr Klink para que ele mesmo narrasse o trecho do livro que inspirou o doc.

Ao final de todas as entrevistas, pedimos para os personagens ler o trecho do livro. Eles não conheciam a frase e não sabiam que o documentário tinha sido inspirado naquele trecho. Todos eles choraram depois de ler a passagem do Amyr Klink, porque eles entenderam ali, naquele momento, depois de nos contar todas aquelas histórias nas entrevistas, que viajar é essencial pra vida deles. Era mais do que uma vontade, uma necessidade. E aí entendemos que o Amyr tinha toda razão… e que o ‘Mochileiros’ tinha, afinal, dado certo.

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